Sonho segundo

Abri meus olhos e a claridade
surreal fez com que eles se apertassem um pouco. Lembro-me de abrir a porta do apartamento e
sair pelo hall do corredor até chegar à portaria. Aquele lugar nunca fora tão
lindo. A paisagem dourada tinha bancos bem cuidados, flores bem tratadas e
tenho a impressão de ter visto um parque de madeira colorido para crianças.
Parecia um cenário cuidadosamente montado. Até que o vi. Alegre, sereno.
Parecia-me com um semblante alvo. Não me recordo se sorria para mim, mas
lembro-me de logo correr para aquele abraço que há muito não recebia. Falara
que estava bem, que havia mudado para um lugar lindo. Perguntei-lhe então sobre
outros que eu sabia que ele poderia ter ouvido falar. Pedi desculpas por
desviar a atenção dele e ir para outro assunto, mas eu precisava saber. Meu avô
foi paciente e bondoso, respondendo minha pergunta. Não lembro de todas as
palavras ditas, mas lembro-me da claridade ir esvanecendo-se e a claridade
natural do começo do dia foi chegando a minha vista. Acordei. E ainda podia
ouvir sua voz pedindo-me para acreditar que não fora apenas um sonho. Viera me
visitar.
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