segunda-feira, 4 de abril de 2016

Sonho segundo


Abri meus olhos e a claridade surreal fez com que eles se apertassem um pouco.  Lembro-me de abrir a porta do apartamento e sair pelo hall do corredor até chegar à portaria. Aquele lugar nunca fora tão lindo. A paisagem dourada tinha bancos bem cuidados, flores bem tratadas e tenho a impressão de ter visto um parque de madeira colorido para crianças. Parecia um cenário cuidadosamente montado. Até que o vi. Alegre, sereno. Parecia-me com um semblante alvo. Não me recordo se sorria para mim, mas lembro-me de logo correr para aquele abraço que há muito não recebia. Falara que estava bem, que havia mudado para um lugar lindo. Perguntei-lhe então sobre outros que eu sabia que ele poderia ter ouvido falar. Pedi desculpas por desviar a atenção dele e ir para outro assunto, mas eu precisava saber. Meu avô foi paciente e bondoso, respondendo minha pergunta. Não lembro de todas as palavras ditas, mas lembro-me da claridade ir esvanecendo-se e a claridade natural do começo do dia foi chegando a minha vista. Acordei. E ainda podia ouvir sua voz pedindo-me para acreditar que não fora apenas um sonho. Viera me visitar.

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